Exames de rotina por idade: o que conferir no check-up em cada década da vida
Atualizado em: junho de 2026
Aviso: conteúdo informativo, não substitui consulta. Rastreamento é individualizado: histórico familiar, sintomas e condições de saúde mudam o que você precisa — quem define os seus exames é o seu médico. Em emergência, ligue 192 (SAMU).
“Check-up” não é pedir todos os exames do mundo — é fazer os exames certos, na idade certa. Exagerar gera falsos alarmes e procedimentos desnecessários; ignorar deixa passar doenças silenciosas como hipertensão e diabetes. Este guia organiza as referências oficiais de rastreamento (Ministério da Saúde, INCA e diretrizes nacionais) década a década — incluindo as duas mudanças recentes que a maioria ainda não conhece: o novo teste de HPV no lugar do Papanicolau e a ampliação do acesso à mamografia.
Em todas as idades (a base que ninguém deveria pular)
- Pressão arterial: aferição periódica desde a juventude — hipertensão é silenciosa e é o principal fator de risco cardiovascular do país. Qualquer UBS ou farmácia afere de graça;
- Peso, circunferência abdominal e IMC: acompanhamento simples que orienta todo o resto;
- Testes rápidos de ISTs (HIV, sífilis, hepatites B e C): gratuitos nas UBS, sem pedido médico, com resultado em minutos — recomendados para quem tem vida sexual ativa, ao trocar de parceria ou anualmente conforme exposição;
- Saúde bucal: avaliação odontológica periódica (o SUS atende nas UBS e nos CEOs);
- Caderneta de vacinação em dia.
Dos 20 aos 39 anos
A fase de construir a linha de base e tratar fatores de risco cedo:
- Glicemia e perfil lipídico (colesterol/triglicérides): ao menos uma medição de referência no início da vida adulta; periodicidade conforme resultado, peso, histórico familiar de diabetes/infarto precoce;
- Preventivo do colo do útero (mulheres a partir dos 25): aqui está a grande mudança — o SUS está substituindo gradualmente o Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV, mais preciso e automatizado, para mulheres de 25 a 64 anos. Na prática: onde o teste novo já chegou, o intervalo com resultado negativo passa a ser de 5 anos (contra os 3 anos do Papanicolau, que segue valendo na transição);
- Saúde mental conta como check-up: sono, ansiedade e humor merecem a mesma atenção;
- Pele: atenção a pintas que mudam (regra ABCDE) e proteção solar, especialmente pele clara e exposição ocupacional.
Dos 40 aos 49 anos
- Glicemia/hemoglobina glicada, lipidograma e pressão entram em ritmo regular (em geral anual ou conforme o médico);
- Mamografia: a recomendação organizada do rastreamento no Brasil foca os 50–69 anos, mas o acesso pelo SUS foi ampliado a partir dos 40 — mulheres nessa faixa podem realizar o exame mediante avaliação, e as ações públicas (como as carretas de mamografia) já trabalham com a faixa ampliada. Histórico familiar forte pode antecipar ainda mais: converse com o médico;
- Função renal, fígado e tireoide (TSH): conforme avaliação clínica e sintomas;
- Avaliação oftalmológica: a presbiopia (“vista cansada”) chega para quase todos, e a pressão ocular começa a ser verificada;
- Risco cardiovascular global: o médico combina seus números num escore que define a agressividade da prevenção.
Dos 50 aos 64 anos
- Rastreamento do câncer colorretal: a partir desta fase (diretrizes recentes tendem a iniciar entre 45 e 50), com pesquisa de sangue oculto nas fezes periódica e/ou colonoscopia — antecipado se houver histórico familiar;
- Mamografia bienal (50–69) no programa organizado;
- Teste de HPV/preventivo segue até os 64 anos;
- Próstata (homens): o rastreamento de PSA não é recomendado de forma universal pelo INCA — a orientação oficial é a decisão compartilhada: converse com o médico sobre prós e contras no seu caso (histórico familiar e raça negra pesam na conversa). Sintomas urinários, porém, sempre merecem investigação;
- Densitometria óssea: mulheres na pós-menopausa com fatores de risco (e homens conforme avaliação);
- Glicemia, lipidograma, pressão, peso: o quarteto segue anual.
60+ anos
- Tudo da fase anterior, somando: avaliação auditiva e visual periódica (catarata, glaucoma), avaliação de equilíbrio e risco de quedas, revisão de medicamentos em uso (a polifarmácia é um risco em si), rastreamento de depressão e memória na consulta de rotina, e vacinas do idoso em dia;
- A caderneta de saúde da pessoa idosa (disponível nas UBS) organiza esse acompanhamento.
Como fazer tudo isso pelo SUS
- Marque consulta de rotina na UBS — é ela que abre os pedidos de exames preventivos (não precisa estar doente para consultar);
- Exames laboratoriais básicos, preventivo, testes rápidos e encaminhamentos para mamografia saem pela própria rede;
- Resultados aparecem no Meu SUS Digital;
- Rastreamentos que dependem de regulação (colonoscopia, por exemplo) seguem o fluxo do especialista.
Perguntas frequentes
Check-up anual completo “de pacote” vale a pena? Pacotes genéricos frequentemente incluem exames sem indicação, que geram falsos positivos e cascata de procedimentos. O caminho com melhor evidência é a consulta periódica + exames direcionados ao seu risco.
Quanto tempo de jejum para os exames de sangue? As diretrizes atuais flexibilizaram: para o lipidograma, o jejum deixou de ser obrigatório na maioria dos casos; glicemia costuma pedir 8h. Siga a orientação do laboratório/pedido.
Tenho plano de saúde. Os prazos são diferentes? Planos devem garantir consultas e exames nos prazos máximos da ANS — cobrimos isso no guia de direitos do plano de saúde.
Histórico de câncer na família muda tudo? Muda — idade de início e frequência dos rastreamentos são antecipadas caso a caso. Leve a história familiar detalhada à consulta.
Fontes oficiais: Ministério da Saúde e INCA (diretrizes de rastreamento) • Fundação do Câncer (Guia de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, 2026) • Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa • Meu SUS Digital
Leia também: [Vacinas do adulto: o que o SUS oferece] • [Meu SUS Digital: guia completo] • [Como marcar consulta com especialista pelo SUS]
